O município de Guapimirim possui 70% do seu território em área de proteção ambiental (APA) e a vocação ecoturística da cidade se deve à diversidade da flora e da fauna, além dos diversos poços naturais e cachoeiras, muito frequentados em dias de verão. Entre os mais de 10 rios que passam por Guapimirim estão os rios Soberbo, Guapimirim, Bananal e Macacu.
No entanto, o lazer nas áreas de cachoeiras é uma preocupação dos munícipes e do Fórum da Agenda 21 de Guapimirim. O Plano Local de Desenvolvimento Sustentável (PLDS), lançado dia 29 de março deste ano, apontou a falta de um sistema de alerta integrado para prevenção de desastres naturais, e destacou a dificuldade para prevenir moradores, turistas e órgãos municipais em casos de eventuais acidentes nas cachoeiras, rios e poços naturais no caso de ocorrência de uma cabeça d’água.
A preocupação com o fenômeno cabeça d’água, caracterizado por uma elevação repentina do nível da água devido a chuvas fortes na cabeceira do rio é plenamente justificada pelo número de acidentes, vários deles fatais, já ocorridos. Em março de 2008, sete pessoas morreram vítimas do repentino aumento das águas de uma cachoeira no Rio Soberbo. E em novembro de 2009, uma menina de dez anos foi levada pela correnteza quando brincava na cachoeira localizada no bairro da Barreira. O fenômeno é tão impressionante que foi relatado em um grande clássico da literatura nacional. No romance O Guarani, de José de Alencar, o índio Peri foge com a portuguesa Ceci pelo rio Paquequer, que nasce na Serra dos Órgãos. Quando a tempestade aumenta o nível do rio, Peri improvisa uma canoa com o tronco de uma palmeira e o romance termina sem sabermos o destino dos dois:”A palmeira arrastada pela torrente impetuosa fugia...E sumiu-se no horizonte”.
A iniciativa de prevenir acidentes nos rios do município partiu dos moradores de Barreira. O sistema de alarme é uma reivindicação de Rogério de Almeida Vidaurre, participante do Fórum da Agenda 21 Local pelo segundo setor. Rogério também é presidente da Associação de Amigos e Moradores da Barreira (Ambar) e desde 1999 alertava sobre a necessidade do aviso de perigo aos banhistas.
Em 2010, Rogério instalou a sirene doada por um munícipe no seu restaurante. O sinal de perigo é enviado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) por telefone e Rogério aciona a sirene que pode ser ouvida em uma área de 3 km.
Apesar da iniciativa, ainda é preciso ampliar o sistema de alarme para outras áreas de cachoeiras, a fim de avisar a outros “Peris” da força do rio.
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Ação
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Criação de um sistema de alarme para minimizar acidentes
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| Agenda 21 de Guapimirim | Tema: Recursos Hídricos |
| Participação do Fórum | Proponente da ação e executor |
| Apoio | Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) |
| Custo | R$300 e doações de munícipes |
| Prazo | Não possui |
| Situação atual | O sistema precisa ser ampliado |
| Beneficiários diretos | População da região e turistas |
Entre as ações da Agenda 21 de Guapimirim voltadas para a proteção dos Recursos Hídricos estão:
Confira a proposta completa para Recursos Hídricos na Agenda 21 de Guapimirim
Foto: Parque Nacional da Serra dos Órgãos de Cris Isidoro