A Agenda 21 de Nova Friburgo tem uma história de vários anos, na qual as palavras integração, participação e, a mais difícil de todas, consenso foram destaques. Tudo começou pela iniciativa do professor Fernando Cavalcante, logo depois, pela câmara técnica do Conselho Municipal de Meio Ambiente, e, em seguida, foi reunido um grupo, que começou o trabalho efetivo de Agenda 21. O financiamento do Fundo Nacional de Meio Ambiente – FNMA, obtido por Nova Friburgo e a ONG Iser, deu o pontapé inicial para o desenvolvimento da Agenda 21 Local de Nova Friburgo, dividido nas três bacias hidrográficas da cidade. Foram envolvidas cerca de 600 pessoas em 250 reuniões, nas mais remotas localidades dos quase 933 km2 de território da cidade.
Em agosto de 2008, em reunião solene na Câmara dos Vereadores, foi entregue o documento base da Agenda 21 Local de Nova Friburgo à comunidade, com a participação do Superintendente Estadual das Agendas 21, Sr. Carlos Frederico Castelo Branco, da representante do Ministério do Meio Ambiente, Carla Matos, da presidente da ONG Iser, Samyra Crespo, do vereador Marcelo Verly, representante da Câmara dos Vereadores e participante da Agenda 21, além da comissão de meio ambiente da Câmara, Sr. Gilberto Puig, representante do projeto Agenda 21 Comperj e do Sr. Roberto Vianna, secretário de meio ambiente de Nova Friburgo. A comunidade friburguense participou maciçamente junto aos colaboradores do trabalho que envolveu a Agenda 21 Local. Resumidamente esse foi o caminho do 2º documento entregue no estado do Rio de Janeiro e um dos dez entregues no Brasil. Gostaria de destacar alguns nomes que trabalharam efetivamente nesse projeto como: Fernando Cavalcante, Alda Maria de Oliveira, Carlos Henrique Martins, Marcelo Castañeda, Viviane Melo, Ramon Porto da Mota, Karla Matos, Marcia S. Gama, Rafael Loureiro, Pedro Higgins e Roberto Vianna dentre outros colaboradores.
Logo depois, teve início o projeto de integração das cidades que serão impactadas pelo Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, Comperj. Foi levantado que a melhor maneira de conhecer as cidades seria através do trabalho já vencedor da Agenda 21, que levaria à Petrobras uma radiografia das cidades, vinda da população, que foi dividida em quatro setores: poder público, empresarial, ONGs e comunidades.
Aconteceram mais de 70 reuniões, nas quais o questionário do programa Agenda 21 foi respondido por cada setor e minimizado para chegar a um documento único. Nesse documento, temos como exemplos para a nossa cidade a construção da estrada do contorno, um hospital regional, o jardim botânico de altitude, além do desenvolvimento de várias frentes. Junto à Petrobras e governos municipal, estadual e federal, poderemos desenvolvê-los, para o crescimento sustentável de uma cidade que será polo na região Centro-Norte fluminense.
A partir desse trabalho, estamos agora com o dever de apresentar esse estudo nas 15 cidades que viverão um crescimento acima da média nacional, por se tratar do Comperj, maior investimento da Petrobras em uma única planta e retomada dos investimentos em petroquímica.
Vamos agora imaginar que estão em jogo cerca de 220 mil empregos diretos e por efeito renda, o que causará um grande fluxo de pessoas e empresas que irão se instalar para dar suporte a esse grande número de mão de obra. Tal fato trará mudanças que necessitam de um estudo prévio, para não acontecer como em outros centros, que estão se “inchando” sem nenhuma vantagem para os moradores, porque a infraestrutura não suporta a grande quantidade de pessoas e serviços instalados.
Estamos agora implantando o documento base do projeto Agenda 21 Comperj, que está fundida à Agenda 21 Local de Nova Friburgo. Esse trabalho visou as demais cidades que não tinham esse projeto sendo desenvolvido. Agora o mesmo foi feito e patrocinado pela Petrobras.
A Petrobras, além do patrocínio, ofereceu toda a infraestrutura necessária para o bom trabalho, dando a oportunidade de grandes e pequenas cidades levantarem suas demandas e, a partir de agora, aplicarem-nas ao Plano Local de Desenvolvimento Sustentável – PLDS, no qual os projetos podem ser desenvolvidos e entrarem por consenso no PLDS, o que gerará muitas melhorias se as próprias forem aplicadas nos municípios.
Nova Friburgo, por sua vocação de turismo, será o “oásis” para todo esse grande projeto que está sendo desenvolvido pelo Comperj, além de fornecer mão de obra, turismo ecológico, de negócios, de lazer, moradias, seminários, congressos e todos os serviços de que dispõe. Com o clima ameno, a cidade estaria sempre recebendo pessoas para descansar e para fazer compras no comércio forte que tem. Tudo isso sem contar com a indústria de moda íntima, que com certeza atrairá um número maior de visitantes, já que Nova Friburgo situa-se a 80 km do Comperj.
Para finalizar, de acordo com a minha percepção, a nossa região estará mudada em 5 anos. O poder público de cada município tem que trabalhar pensando nessa parceria, que é duradoura e gerará riqueza, desenvolvimento, sustentabilidade. Além disso, esse trabalho dependerá de investimentos e parcerias com os governos estadual e federal para a melhoria do fornecimento de mão de obra e alavancar a indústria, o comércio e o turismo. Estamos muito perto de outras cidades que não possuem infraestrutura e organização e, com isso, passamos à frente, mas devemos ter como objetivo, principalmente, a capacitação e a educação de nossa comunidade, que hoje já deve passar de 200 mil habitantes. Servimos de polo para mais 11 cidades e, por isso, devemos crescer mais. É nosso dever também pensar nessas cidades vizinhas que também serão impactadas indiretamente.
Para mim, essa primeira iniciativa da Petrobras na integração das cidades que serão impactadas leva a crer que muita coisa boa vem por aí e que depende unicamente do nosso poder de mobilização e articulação, para podermos crescer sustentavelmente preservando o nosso maior patrimônio, que são as nossas matas e a produção de água. Nova Friburgo é realmente uma cidade-parque que tem que ser preservada e administrada com o olhar diferenciado, porque o crescimento sustentável sempre esteve em nossa pauta.
* Escrita pelo coordenador do Fórum Local de Nova Friburgo, Paulo Roberto de Souza.
Publicado no Jornal A voz da Serra
Créditos: Regina Lo Bianco