
O lançamento da Agenda 21 de Silva Jardim aconteceu no Ginásio Gualter Caldeira do Nascimento, no dia 12 de julho. Entre os convidados, havia muitas autoridades do município e de outras cidades próximas. A cerimônia contou com apoio da Petrobras, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia, do comércio e de associações locais. Na abertura do evento, grupos infantis do município, como o da Associação Pestalozzi de Silva Jardim, fizeram apresentações especiais.
Na mesa da cerimônia, três prefeitos de municípios participantes do projeto Agenda 21 Comperj tiveram a palavra. O prefeito de Tanguá e também presidente do Consórcio Intermunicipal da Região Leste Fluminense (Conleste), Carlos Pereira, falou sobre o investimento do Complexo Petroquímico na região e das novas etapas do Conleste. “O Comperj tem sido amplamente discutido no Consórcio. Nós criamos câmaras temáticas, seguindo a organização da Agenda 21, para acompanhar o desenvolvimento da indústria de petróleo e estamos planejando a participação dos coordenadores de cada Fórum da Agenda 21 em um seminário para ser referência no Plano Diretor Estratégico da região”.
Já o prefeito de Casimiro de Abreu, Antônio Marcos, ressaltou a participação do governo para as ações de desenvolvimento sustentável acontecerem. “É responsabilidade e dever do prefeito entender as propostas aqui reunidas como petições da sociedade”. No mesmo sentido, o prefeito de Silva Jardim, Marcelo Xavier, citou a Agenda 21 como uma ferramenta de trabalho para o município. Segundo Xavier, “A Agenda é uma ferramenta criada pelos munícipes. Ela é resultado do nosso olhar sobre Silva Jardim, como nós vemos as nossas potencialidades. E todo o cidadão precisa estar incluído nas ações”. É o que confirma também o secretário do Meio Ambiente de Silva Jardim, Ezequiel Moraes, representante do primeiro setor no Fórum da Agenda 21 Local e participante do projeto antes da Caravana Comperj chegar à cidade. “Em 2006, teve início o processo de Agenda 21 no município. E hoje, a gente pode analisar que a entrada da Petrobras como um facilitador, um fomentador das discussões, foi uma contribuição muito produtiva para termos este resultado: um documento que é nosso e para todos nós”, disse Moraes.
Também estavam no palco, o vice-prefeito de Silva Jardim e o Ricardo Frosini, coordenador geral do projeto Agenda 21 Comperj. Frosini destacou a grande área de Mata Atlântica preservada na região. “O município de Silva Jardim possui 95% de seu território em Área de Proteção Ambiental (APA) da Bacia do Rio São João. É um grande potencial. Por isso o planejamento de ações para o crescimento sustentável da cidade é a grande resposta para as mudanças que o Comperj trará. A Agenda 21 de Silva Jardim foi muito discutida e teve a inclusão do pensamento da população. Agora, é batalhar para colocar em prática. E também, nessa etapa, a Petrobras vai continuar apoiando os Fóruns”.
Representantes do Fórum das Agendas 21 de Casimiro de Abreu, de Saquarema, de Itaboraí, de Cachoeiras de Macacu, de São Gonçalo, de Guapimirim e de Tanguá também prestigiaram o lançamento de Silva Jardim. Entre eles, Almir Pereira, representante do terceiro setor do Fórum de Saquarema estava entusiasmado com a repercussão do seminário sobre desenvolvimento sustentável realizado no município. “Eu não esperava que o reconhecimento do trabalho da Agenda 21 viesse rápido, mas é o que tem acontecido. E isso é muito bom. A população não vê a Agenda 21 como algo utópico. Estamos trabalhando”.
Na década de 70, a região abrigava aproximadamente 200 micos-leões-dourados, hoje são mais de 1600 espécimes e o Projeto de Conservação do Mico-Leão-Dourado tornou-se a Associação do Mico-Leão-Dourado que abrange oito municípios próximos a Silva Jardim.
O projeto teve iniciativa de pesquisadores estrangeiros e ambientalistas brasileiros, entre eles, Adelmar Coimbra Filho, reconhecido como um dos precursores da conservação ambiental no Brasil. Em 1983, o projeto de pesquisa propôs trazer os micos-leões-dourados que estavam em cativeiros nos EUA para o Brasil, e assim chegou a pesquisadora Lou Ann Dietz para trabalhar com a conscientização da comunidade e a preservação do pequeno primata. “É muito bom ver o fruto de mais de 30 anos de trabalho. O grupo cresceu e tem mais gente trabalhando e se preocupando com a preservação ambiental no município. Eu reconheço muitas pessoas que hoje estão fazendo parte do Fórum da Agenda 21, ou entre as autoridades locais, que já participaram da Associação. A Agenda 21 é a comprovação de que a consciência ambiental mudou”.
Sobre essa mudança de relação com o meio ambiente, o presidente do Conselho da Associação, Eros Campello de Queiroz lembra que Silva Jardim é destaque nacional no número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). “Muitos proprietários de terras estão apenas dando continuidade a práticas nocivas ao meio ambiente que aprenderam com seus antepassados. É preciso educar antes de punir essas ações erradas. Assim, é possível estimular a preservação nas propriedades particulares”.
Somando a fala de Queiroz, Nandia Xavier, representante da Associação Mico-Leão-Dourado no Fórum de Silva Jardim, explica que o trabalho vai muito além do pequeno primata. “As pessoas acham que a gente só se preocupa com a preservação do mico-leão-dourado, mas o trabalho passa por muitas áreas, como as pequenas propriedades privadas, os recursos hídricos e a economia sustentável”. Nandia também é responsável pelo núcleo de educação ambiental da associação.
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