Na primeira semana de maio, a Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, foi palco do Festival Estadual e Metropolitano de Economia Solidária, ou Feira de Economia Solidária. O evento fez parte de uma iniciativa do Governo Federal, realizada através do Ministério do Trabalho e Emprego, que vem se consolidando como uma inovadora alternativa para gerar trabalho, renda e reduzir as desigualdades no Brasil.
Promovido pelo Fórum Estadual de Economia Solidária, o festival contou com 165 expositores. Durante uma semana, os visitantes puderam conhecer trabalhos e empreendimentos sustentáveis ligados ao vestuário, artesanato, agricultura orgânica e decoração. Além da comercialização dos produtos, o evento ofereceu também uma programação cultural diversificada e oficinas que ensinaram algumas das técnicas utilizadas pelos artistas.
Entre as atividades extras, tiveram apresentações de diversos corais, cantores, dançarinos e grupos teatrais, como o dos pacientes do Pinel e do conjunto de percussão formado apenas por pessoas com mais de 60 anos. A programação cultural incluiu ainda oficinas e palestras abertas ao público, que teve a oportunidade de conhecer os produtos ecológicos e aprender como são feitos.
Os expositores da feira acharam o local ideal para a realização do evento, pois a Cinelândia fica bem no centro do Rio, e as pessoas que trabalham nas proximidades acabaram sendo atraídas pela movimentação atípica na praça. A consumidora Giuliana Cimino trabalha perto e aproveitou o evento para comprar o presente do Dia das Mães: “Aproveitei a hora do almoço para dar um pulinho na feira. Tem muita variedade. Estou de olho nos brincos e bolsas”.
Alguns trabalhos da feira chamaram mais atenção pelo respeito à natureza. Dava para ver muita coisa sustentável: bolsas de garrafas PET, enfeites de conchas do mar, entre outros. Todos os trabalhos vistos na feira são feitos por diversos grupos, ONGs e associações. Esses produtores foram escolhidos através de 15 fóruns criados pelo próprio festival para selecionar quem seriam os expositores da feira.
De acordo com a coordenadora do evento, Adriana Cardoso, membro da Organização de Educação Popular ou Centro de Ação Comunitária, a feira não tem previsão para ser montada em outro local. Entretanto, ela lembra que o festival é anual e já está na quarta edição. Adriana explica que a intenção do evento é buscar outras propostas de desenvolvimento no país. “Este festival quer ser um espaço de visibilidade tanto para a sociedade civil quanto para o governo local.”
Tudo começou com o Programa Economia Solidária em Desenvolvimento, iniciado em 2004. A ideia principal era buscar um novo conceito de desenvolvimento sustentável que unisse o crescimento econômico e a preservação ambiental. O movimento engloba atividades de produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, trocas, comércio justo e consumo solidário organizadas em forma de autogestão. A iniciativa surgiu a partir do compromisso que o governo assumiu em implementar políticas que possibilitem inclusão, proteção e incentivo aos trabalhadores.
Após três anos de existência, o movimento cresceu e criou várias linhas de ação que priorizam a organização do comércio de produtos e serviços da economia solidária. Hoje, o programa luta cada vez mais para promover um desenvolvimento justo e solidário a partir de políticas integradas para fortalecer a economia solidária, como é o caso da feira.