A construção civil é responsável por vários impactos ambientais, entre eles a emissão de gases poluentes, o alto consumo de recursos naturais (energia, água, petróleo) e a geração de uma grande quantidade de resíduos. Os edifícios, por exemplo, são grandes emissores de gases de efeito estufa, com 25% do total global e no Brasil consomem 18% da energia elétrica produzida no país.
Para contribuir na busca de soluções, o ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade
desenvolve o projeto Promovendo Políticas de Construção Sustentável na América do Sul (PoliCS). Com a proposta de estimular a criação de leis e normas a serem implementadas pelos governos locais para incentivar construções sustentáveis, a iniciativa visa criar uma rede de apoio para auxiliar cidades a desenvolverem planos de ação e políticas responsáveis para a construção civil.
O ICLEI dispõe de uma lista de critérios que classificam uma construção como sustentável. Entre eles está: diminuir o consumo e aumentar a reutilização de recursos naturais; priorizar a utilização de recicláveis e recursos renováveis; levar em conta a variável ambiental, respeitando o entorno e utilizando elementos que se integrem ao meio; considerar o ciclo de vida dos produtos, serviços e materiais utilizados; providenciar um destino adequado para os resíduos da construção; respeitar a legislação trabalhista e os direitos humanos.
O Brasil participa do projeto através de três cidades: Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre. Belo Horizonte aplica o conceito a edifícios médios e grandes através do licenciamento urbanístico e ambiental que avalia a infraestrutura e a utilização de alternativas tecnológicas como a eficiência energética, a economia de água e o aproveitamento de águas da chuva, entre outras. Já Porto Alegre possui um histórico de sustentabilidade através de ações como a coleta e reciclagem de resíduos, o uso de material sustentável na construção de parques e o reaproveitamento da energia no tratamento de efluentes. Em São Paulo os destaques são a regularização do uso de madeira legal e a reciclagem de entulho de obras para uso na pavimentação. Além disso, na América do Sul cidades como Buenos Aires (Argentina) e Montevidéu (Uruguai) também participam do projeto como governos-piloto.
Com a chegada do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, sediado em Itaboraí, iniciou-se a demanda por novas construções não só no município, mas também na região de influência do empreendimento. Com este novo cenário, surge uma oportunidade para os municípios fluminenses trabalharem a legislação e as normas propostas no projeto PoliCS. Que tal começar a mudar?
Fonte: Revista Conexão – Ação Local Contra o Aquecimento Global Nº 6