Pesquisadores da Faculdade de Engenharia Agrícola Feagri, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), criaram um sistema de irrigação para produzir porta-enxertos de mudas cítricas no Estado de São Paulo. Enxertar, na agricultura, significa unir parte de uma planta com o tronco ou a haste de outra, unindo as duas e permitindo que uma se desenvolva sobre a outra.
Um dos incentivosao projeto foi a preocupação mundial em relação aos recursos hídricos. Com o consumo de água crescente nos últimos anos, a agricultura irrigada virou alvo dos pesquisadores ambientais que desejam promover um consumo racional do líquido. Nesse sentido, a nova técnica oferece vantagens, pois favorece o uso eficiente não só da água, mas também de fertilizantes, defensivos agrícolas e energia elétrica nas estufas.
O equipamento utilizado no novo sistema se baseia no princípio da capilaridade, isto é, ele garante uma circulação da água na própria estufa onde são produzidos os porta-enxertos e evita que a parte superior das plantas umedeça durante a primeira fase de produção das mudas cítricas. Estudos revelaram que, dessa forma, a produção aumenta e plantas como o cavalinho de limão-cravo, que antes demorava 90 dias para ser produzido, com o novo sistema de irrigação, demora cerca de 65 dias.
Os coordenadores do sistema escolheram trabalhar nesse modelo de produção devido ao crescimento da citricultura (plantação e cultivo de plantas cítricas) em São Paulo. A atividade é a terceira em destaque no agronegócio do Estado, atrás apenas da indústria sucroalcooleira (produção de açúcar e álcool) e da bovinocultura de corte.
No Estado do Rio de Janeiro, a atividade produz cerca de 130 mil toneladas de citros. O município de Tanguá, por exemplo, tem se destacado no ramo, com a instalação de uma estufa mais moderna para a produção de mudas crítricas. Além deste município, Rio Bonito também tem feito ações em prol da citricultura como as patrulhas agrícolas mecanizadas. Elas consistem em galpões de tratamento da fruta e transporte para a comercialização. Já Itaboraí só ficou para trás na produtividade de citros no Estado depois da emancipação de Tanguá, que herdou a maior parte da área rural.
Fonte: Ambiente Brasil